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domingo, 31 de março de 2013

A obesidade e a diabetes estão intimamente ligadas

A obesidade é um dos fatores de risco mais importantes para diabetes. Este fator de risco, sendo prevenível, pode ser o principal instrumento para prevenção da diabetes.
Para analisar a relação entre estas duas doenças, investigadores da Universidade da Califórnia levaram a efeito uma análise de uma amostra dos Inquéritos Nacionais Americanos sobre Saúde e Nutrição entre 1999 e 2006.
Identificaram nessa amostra de 21.205 participantes, 2.894 adultos com diabetes o que correspondeu a 13.6% da população estudada.
A prevalência da diabetes aumenta com a classe de IMC. Apenas 8% dos indivíduos com peso normal apresentavam diabetes enquanto naqueles com IMC > 40 (Obesidade grave ou Classe III) 43% apresentavam diabetes. Nos escalões intermédios, os indivíduos com excesso de peso (IMC 25-30) apresentavam 15% de diabetes, aqueles com obesidade ligeira (IMC 30-35) eram 23% diabéticos e a obesidade moderada (IMC 35-40) correspondia a uma probabilidade de diabetes de 33%.
Caracterizando os adultos diabéticos, a sua idade média era de 59 anos, a glicémia de 155 e a Hg A1c de 7.2 %. A percentagem destes 2.894 doentes diabéticos que apresentavam peso excessivo era de 80.3% (IMC > 25) sendo 49.1% obesos (IMC > 30). Por sua vez, um IMC superior a 35 estava presente em 24.6% dos doentes e IMC acima 40 representava 10.8% desta população.
Em relação ao controlo da diabetes, 60% apresentavam Hg A1c inferior a 7% (bom controlo), 17% entre 7% e 8 % de Hg A1c (controle razoável) e 23% da população com Hg A1c superior a 8% (mau controlo).
Como resumo do estudo, de referir que a prevalência da diabetes aumenta com a classe de IMC, atingindo 43% dos obesos classe III. Por outro lado, 80% dos diabéticos têm excesso de peso e 49% são obesos (IMC > 30), tendo IMC superior a 35, 24.6% dos diabéticos. Finalmente, apenas 60% dos diabéticos se encontram controlados, estando um quarto com Hg A1c superior a 8%.
Este estudo demonstra mais uma vez a enorme associação entre obesidade e diabetes, confirmando que só a intervenção no peso permite controlar a diabetes e reduzir o custo que esta doença tem nos sistemas de saúde.

O trabalho foi publicado na Obesity Surgery aqui.
 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Bypass reduz o risco cardio-vascular

A obesidade é uma doença complexa que tem muitas implicações no desenvolvimento de outras doenças. Tudo junto, conduz a um aumento da mortalidade e perda de qualidade de vida como poucas outras doenças conseguem.
 
As técnicas cirúrgicas para tratar a obesidade são muito eficazes a obter redução de peso mas, além disso, cada vez é mais evidente que também influenciam positivamente as doenças associadas, como a diabetes, a dislipidemia e as doenças cardio-vasculares.
 
No sentido de objetivar este efeito benéfico, um grupo de investigadores brasileiros estudou o efeito da cirurgia da obesidade no risco cardio-vascular aos 10 anos, medido pelo score de Framingham. Este score permite estabelecer o risco de morte de um doente, baseado na idade, sexo, peso, IMC, pressão arterial diastólica, perfil lipídico, glicémia e história anterior de doença cardio-vascular. Este score está validado de uma forma muito sólida e é muito utilizado em diversos estudos.
 
Neste estudo, o Score de Framingham foi avaliado para um conjunto de 42 doentes antes e depois de realizarem um bypass gástrico.
 
A redução do risco cardiovascular aos 10 anos foi muito evidente nos doentes operados, sobretudo através da redução do peso e da resolução de co-morbilidades. Esta redução de risco foi especialmente acentuada nos doentes que apresentavam, à partida, co-morbilidades.
 
Os autores concluem que o bypass provoca uma perda de peso acentuada, sustentável, e com melhoria significativa das co-morbilidades.
 
O estudo foi publicado na Obesity Surgery.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Colocação de banda gástrica em doentes com obesidade ligeira é um procedimento seguro

A cirurgia de obesidade, nomeadamente a colocação de banda gástrica, tornou-se um dos procedimentos standards no tratamento da obesidade com IMC superior a 35 Kg/m2.

No entanto, os doentes com obesidade Classe I (IMC entre 30 e 35 - obesidade ligeira) apresentam igualmente risco elevado de co-morbilidades associadas à obesidade. O papel do tratamento cirúrgico da obesidade nestes doentes ainda não está definido, mas poderá vir a tornar-se importante, uma vez que a generalidade dos tratamentos conservadores (não cirúrgicos) não se têm revelado úteis.

Recentemente, como noticiei neste blog, a FDA americana aprovou a utilização da banda gástrica neste segmento dos doentes obesos (IMC entre 30 e 35).

Para avaliar a segurança deste tratamento, investigadores americanos compararam o postoperatório de doentes com obesidade ligeira tratados com colocação de banda gástrica, com doentes com obesidade grave que realizaram o mesmo tratamento.

Verificaram que, com excepção do peso inicial (obviamente mais elevado nos doentes com obesidade grave), todos os outros parâmetros avaliados relativos à segurança, nomeadamente o tempo operatório, as perdas hemáticas, a duração do internamento e os internamentos em UCI foram semelhantes nos dois grupos. Não houve mortalidade ou necessidade de reoperação em nenhum dos grupos.

Os autores concluem que a colocação de banda gástrica num doente obeso ligeiro apresenta o mesmo perfil de segurança que a mesma cirurgia em doentes com obesidade grave.

O estudo foi publicado no número de Abril de 2011 do Obesity Surgery e pode ser encontrado aqui.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Bypass resolve a diabetes mesmo nos doentes com IMC 30-35

O Brasil é um dos países do mundo com maior experiência em cirurgia de obesidade e metabólica. Vários autores brasileiros, onde destacamos Almino Ramos, juntaram-se para publicar, no Obesity Surgery de Março 2013, um estudo sobre Bypass em doentes diabéticos com obesidade ligeira (IMC entre 30 e 35.
 
Este estudo é retrospetivo e inclui 27 doentes com IMC entre 30 e 35 operados entre 2002 e 2008, por diabetes tipo 2 não controlada. O objetivo avaliado foi a resolução completa da diabetes confirmado pelo atingimento de Hb A1c <6%, glicémia < 100 mg/dl e ausência de medicação para a diabetes.
Um ano após o Bypass, os resultados foram de
- 23% redução no peso
- BMI estabilizado nos 25.6 Kg/m2
- 46% redução na glicémia
- 27% redução na Hb A1c
- Melhoria do controlo da daibetes em 100% dos doentes
- Resolução completa da diabetes em 48% dos doentes
Os autores concluem que o Bypass é uma opção segura e eficaz no tratamento da diabetes não controlada em doentes com obesidade classe I (IMC 30-35).
 
O estudo pode ser encontrado aqui.
 
 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Bypass tem resultados superiores ao sleeve

Foi publicado no número de Março 2011 do Obesity Surgery, um estudo prospectivo comparando os resultados da Gastrectomia Linear (Sleeve) e do Bypass, no tratamento da obesidade.
 
Foram estudados 94 doentes, sendo 47 doentes tratados com bypass e 47 tratados com sleeve. Os parâmetros avaliados foram a qualidade de vida (questionários Moorehead-Ardelt e SF-36), a perda de peso e a melhoria das comorbilidades.
 
Como resultados há a assinalar que o grupo de doentes tratados com bypass gástrico tiveram melhores scores de qualidade de vida do que os doentes de sleeve.
 
A resolução da diabetes foi de 90% nos doentes com bypass e 55% no sleeve. A resolução da hipertensão arterial foi de 73% no bypass contra 30% no sleeve. As queixas de refluxo gastro-esofágico resolveram em 92% do grupo de bypass mas apenas em 25% no sleeve. No caso do sleeve, 33% dos doentes operados que não apresentavam queixas de DRGE, desenvolveram estas queixas pela primeira vez após a cirurgia.
 
A satisfação com a cirurgia foi de 94% no bypass e de 90% no sleeve.
 
Os autores concluiram que os resultados do bypass apontam para uma melhor qualidade de vida do que os do sleeve. Além disso, os resultados em termos de controlo de patologias associadas como a diabetes, a hipertensão e a DRGE são também melhores no bypass do que no sleeve.
 
 
O estudo pode ser encontrado aqui.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Cirurgia da Obesidade melhora o controlo da asma


Um estudo publicado na Obesity Surgery em Fevereiro de 2011, mostra o impacto favorável da cirurgia de obesidade nos sintomas da asma.
 
Neste estudo, foram analisados retrospetivamente 2.562 doentes com asma, operados por obesidade.
 
Um ano após a intervenção cirúrgica, a percentagem de doentes dependentes de corticóides inalados desceu de 49% para 29%. Os doentes com banda gástrica tiveram benefício menor do que aqueles que receberam uma intervenção diferente.
 
Os autores concluem que a cirurgia bariátrica melhora o controlo da asma, diminuindo a necessidade de terapêutica. A banda gástrica parece ser menos eficaz.

O artigo pode ser encontrado na Obesity Surgery


segunda-feira, 25 de abril de 2011

A cirurgia bariátrica melhora a memória

A evidência científica mostra que a obesidade compromete as funções neuro-cognitivas, tais como a memória. Estes dados não são surpreendentes uma vez que as doenças crónicas associadas à obesidade, como a diabetes e a hipertensão, também estão relacionadas com disfunção cognitiva.

A questão mais relevante é saber se esse compromisso da memória é resolúvel com a cirurgia bariátrica.

Dali - The Persistence of Memory


Para estudar este assunto, investigadores de vários centros norte-americanos analisaram a evolução das capacidades de memória de um grupo de doentes sujeitos a cirurgia bariátrica. Esta avaliação foi realizada antes da cirurgia e 12 semanas após a intervenção cirúrgica. Além disso, compararam os resultados com um grupo de doentes obesos não operados.

Antes da cirurgia, os doentes obesos tinham um desempenho nestes testes cognitivos, que avaliaram a capacidade de memória, inferiores ao da população não obesa.

12 semanas após a cirurgia, os doentes obesos operados obtiveram uma melhoria no seu desempenho, ao contrário dos doentes obesos não operados, que tiveram resultados nos testes que revelaram degradação das capacidades cognitivas.

Como resultado deste estudo, os autores concluem que o compromisso cognitivo (avaliado pela capacidade de memória) é um problema frequente nos doentes obesos, mas que é reversível com o tratamento da obesidade.

Este estudo pode ser consultado na revista Surgery of Obesity and Related Diseases

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A obesidade no início da gravidez aumenta o risco de morte neo-natal

O impacto negativo que a obesidade nas fases iniciais da gravidez tem na saúde do recém-nascido já é conhecido. No entanto, nem todos estes efeito prejudiciais são inteiramente claros.

No sentido de esclarecer melhor as consequências da obesidade nesta fase da gravidez, foi realizado um estudo, na região Norte de Inglaterra, que pretendeu relacionar obesidade (IMC >30) com risco de morte fetal e neo-natal, excluindo as malformações congénitas e os efeitos da gravidez gestacional, que são problemas já bem conhecidos.

As gravidezes seguidas em cinco hospitais ingleses, no període de 2003-2005 foram analisadas de um ponto de vista estatístico. Foram contabilizadas as mortes fetais (>20 semanas de gestação) e as mortes dos recém-nascidos durante o primeiro ano de vida, e analisadas de acordo com o IMC da mãe (<18.5, 18.5-25, 25-30, >30).

Os resultados mostraram que as mulheres obesas tiveram um risco de morte fetal ou no primeiro ano aproximadamente o dobro das mulheres obesas (2.3 e 1.9 de risco relativo respectivamente).

A análise estatística contínua revelou uma relação de formato em V, com o risco mais baixo no IMC 23 e aumento contínuo do risco para valores aumentados do IMC.

As razões para este aumento de mortalidade fetal e dos recém-nascidos até ao primeiro ano de vida encontrado nas mulheres obesas, não foram estabelecidas.

O estudo conclui que a obesidade no início da gravidez está associado de uma forma significativa com a morte fetal e a morte do recém-nascido no primeiro ano de vida. Esta associação é independente das já conhecidas implicações da obesidade no aparecimento de malformações congénitas e na diabetes gestacional.

Pode encontrar este trabalho na Revista Human Reproduction

terça-feira, 12 de abril de 2011

A diabetes aumenta o risco de cancro

Um estudo do National Institutes of Health americano ( NIH-AARP Diet and Health Study), apresentado em Orlando - Florida em Abril, no AACR 102nd Annual Meeting 2011, revelou que a diabetes está associada a um aumento do risco de aparecimento de vários tipos de cancro.

Os autores desenvolveram um estudo prospectivo que envolveu 500.000 pessoas, entre os 50 e os 71 anos de idade. Estas pessoas foram seguidas durante 11 anos para avaliar o efeito que a dieta, estilo de vida, actividade física e presença ou não de diabetes, tiveram no aparecimento de cancro.

Verificaram que a mortalidade foi 11% superior nas mulheres diabéticas do que nas mulheres sem diabetes. Nos homens o aumento de mortalidade causado pela diabetes foi ainda maior: 17%.

Em relação ao tipo de tumor, a diabetes esteve associada a um aumento dos tumores do colon, recto e fígado em homens e mulheres. No caso dos homens também o risco de cancro do pâncreas e da bexiga estiveram aumentados. Nas mulheres o efeito da diabetes foi sentido ainda nos tumores do estomâgo, ânus e endométrio.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A banda gástrica também resolve a diabetes em doentes com obesidade ligeira e moderada

Um estudo importante para a compreensão do efeito da cirurgia bariátrica na diabetes foi puiblicado em 2008, no Journal of the American Medical Association (JAMA).

O ponto de partida deste trabalho foi o conhecimento de que a cirurgia bariátrica induz perda de peso, o que pode contribuir para o controlo da diabetes. Este efeito é já bem conhecido em doentes com obesidade grave (IMC > 40).

O objectivo dos investigadores foi determinar se, em doentes com menor grau de obesidade, a cirurgia também é melhor do que as terapêuticas convencionais.

Neste estudo foram incluídos doentes com obesidade ligeira e moderada (IMC entre 30 e 40) e com diabetes de tipo 2. Metade dos doentes foram operados (colocação de banda gástrica) enquanto a outra metade receberam tratamento médico standard para a diabetes, com um foco especial em alterações do estilo de vida que conduzem a perda de peso.

A investigação foi realizada na Austrália, um dos países com maior experiência em banda gástrica, no University Obesity Research Center, em 2006, e envolveu 60 doentes. Os resultados foram avaliados ao fim de dois anos.

Os resultados mostraram que, nos doentes operados a diabetes foi resolvida em 73% dos casos ao fim dos dois anos, enquanto que apenas 13% dos doentes não operados deixaram de ser diabéticos. Os doentes que colocaram banda gástrica tiveram uma perda de peso média de 20.7%, enquanto os não operados apenas reduziram 1.7% do peso.

Não existiram complicações sérias em nenhum dos grupos.

Os autores concluiram que os doentes que receberam terapêutica cirúrgica conseguiram uma perda de peso muito superior e muito maior resolução da diabetes, do que os doentes não operados e que receberam apenas tratamento médico convencional.

Estes dados suportam o conceito de que os doentes com diabetes tipo 2 com obesidade ligeira e moderada (IMC entre 30 e 40), também beneficiam largamente da cirurgia de obesidade, e a banda gástrica é uma das opções cirúrgicas eficazes.

O estudo foi publicado na JAMA

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Federação Internacional para a Diabetes apoia a cirurgia metabólica

Segundo o documento que estabelece a posição da International Diabetes Federation (IDF) sobre a terapêutica da Diabetes Tipo 2, apresentado em Nova Iorque em 28 de Março de 2011, a cirurgia bariátrica deve ser considerada no tratamento da diabetes, em fases iniciais da doença, para evitar as graves complicações que podem resultar desta doença.

A combinação de obesidade e diabetes apresenta-se como a maior epidemia da história da humanidade. A diabetes de tipo 2 é uma das doenças com maior crescimento actualmente, afectando cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, estimando-se que afectará 450 milhões pelo ano 2030.

De acordo com esta organização, existe cada vez mais evidência que as pessoas obesas com diabetes de tipo 2, podem beneficiar substancialmente da cirurgia bariátrica.

Neste documento da IDF são apresentadas como conclusões principais:

- A obesidade e a diabetes tipo 2 são doenças crónicas associadas a uma disfunção metabólica que aumenta o risco de mobilidade e de mortalidade

- O aumento dramático da prevalência da obesidade e da diabetes tornou-se um problema importante de saúde pública e necessita de atenção do governo, sistemas de saúde e da comunidade médica.

- Além das abordagens sobre o estilo de vida e terapêuticas médicas, vários tipos de cirurgia do aparelho gastrointestinal, originalmente desenvolvidas para tratar a obesidade (cirurgia bariátrica), constituem opções eficazes para melhorar a diabetes em doentes obesos. Estas intervenções cirúrgicas muitas vezes normalizam os níveis de glicémia, reduzindo ou eliminando a necessidade de medicações e fornecendo uma abordagem com bom custo-eficácia para tratar a diabetes.

- A cirurgia bariátrica é um tratamento apropriado para doentes com obesidade e diabetes tipo 2, que não atingiram um controlo da doença, especialmente quando existem outras doenças associadas.

- A cirurgia deve ser um tratamento a utilizar em doentes com diabetes e IMC superior a 35.

- Em doentes com IMC entre 30 e 35, a cirurgia também deve ser considerada uma alternativa, quando a diabetes não é adequadamente controlada por regimes médicos especialmente quando em presença de outros factores de risco cardio-vasculares.

- Os preconceitos sociais contra a obesidade, existentes também no sistema de saúde, não devem funcionar como barreira ao fornecimento de terapêuticas eficazes.

- A evidência existente mostra que a cirurgia bariátrica tem uma boa relação custo-eficácia.

- A morbilidade e mortalidade associadas à cirurgia bariátrica são baixas, semelhantes à mortalidade e mortalidade de procedimentos bem aceites como, por exemplo, a cirurgia por litíase vesicular.

- A cirurgia bariátrica em doentes com obesidade grave e diabetes de tipo 2, oferece um conjunto de benefícios de saúde, incluindo uma redução na mortalidade.

O documento original pode ser consultado no site da IDF.

sexta-feira, 25 de março de 2011

NIH - Plano estratégico para a investigação sobre diabetes

O National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK) americano, acaba de publicar o seu plano estratégico para a investigação sobre diabetes (Diabetes Research Strategic Plan).

Segundo o seu director, Griffin P. Rodgers, "através do estabelecimento de prioridades e da identificação das mais promissoras oportunidades de investigação científica, este plano estratégico vai orientar o NIH, as outras agências federais americanas e a comunidade científica em geral, nos seus esforços para melhorar os tratamentos da diabetes e identificar formas de manter as pessoas saudáveis".

No capítulo dedicado aos novos caminhos terapêuticos, são apresentadas cinco direcções:
- Foram identificados no genoma humano muitos genes que aumentam a susceptibilidade para diabetes de tipo 1 e 2
- Novos testes genéticos permitem identificar recém-nascidos com diabetes neonatal - uma forma rara de diabetes - que pode ser tratada com fármacos orais em vez de insulina injectável
- Novos tratamentos para a diabetes tipo 2 estão disponíveis, alicerçados em descobertas sobre a forma como as hormonas gastrointestinais influenciam a secreção de insulina
- O bypass gástrico e outras intervenções cirúrgicas bariátricas destinadas a tratar a obesidade grave, podem resolver a diabetes independentemente da perda de peso, abrindo as portas a novas descobertas e a opções terapêuticas para algumas pessoas
- A detecção de gordura castanha em adultos pode vir a ser útil em termos terapêuticos na prevenção e no tratamento da obesidade

Neste documento a cirurgia de obesidade surge como um novo caminho terapêutico .

Segundo o NIDDK, "a cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para a obesidade grave. O bypass gástrico, uma operação muito frequente neste campo, causa uma marcada perda de peso. Esta perda de peso, ao contrário das outras formas de tratamento não cirúrgico, parece não activar respostas compensatórias que levem a reganhar o peso perdido, permitindo a cirurgia que essa perda de peso seja mantida ao  longo do tempo. Esta intervenção cirúrgica pode ainda conduzir a uma completa normalização da glicose no sangue através de mecanismos que parecem ser, pelo menos parcialmente, independentes da perda de peso.

Os mecanismos que potencialmente causam este efeito, poderão ser o aumento da secreção de hormonas gastrointestinais, alterações neuroendócrinas induzidas pela exclusão de nutrientes no intestino inicial, diminuição da secreção da ghrelina, alteração da sensibilidade intestinal aos nutrientes ou outros mecanismos ainda não identificados.

Na realidade, apesar de idealizado inicialmente para tratar a obesidade, verificou-se que o bypass gástrico e outras intervenções cirúrgicas asseguram uma melhoria do metabolismo da glicose muito mais marcada, do que o que seria de esperar pela redução de peso conseguida. A diabetes fica resolvida em alguns doentes, mesmo antes de se atingir uma perda de peso significativa."

O "National Institutes of Health (NIH)" é a agência norte americana para a investigação médica. Inclui 27 Institutos e Centros e é um componente do Departamento Americano da Saúde - equivalente ao Ministério da Saúde em Portugal.

O NIH é a principal agência governamental americana para organizar e apoiar a investigação científica médica.

Um dos seus institutos é o  National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK), que se dedica à investigação sobre diabetes e outras doenças metabólicas.

Pode consultar aqui o documento original do Plano Estratégico para a Investigação sobre Diabetes

quarta-feira, 23 de março de 2011

O tipo de distribuição corporal não parece influenciar o risco cardiovascular nos doentes obesos

O marcado aumento de risco de doença cardiovascular (enfarte do miocárdio, angina de peito, acidente vascular cerebral) causado pela obesidade, pela diabetes, pela HTA e por outras doenças crónicas é bem conhecido.

No caso da obesidade, o tipo de distribuição predominante da gordura tem sido apontado também como uma causa deste aumento de risco.

No obeso, a gordura em excesso pode ter uma distribuição mais intensa de tipo central (excesso de gordura no abdomen) ou de tipo periférica (gordura acumulada nas ancas, nádegas e coxas). Este tipo de distribuição de gordura pode ser calculada pelo perímetro da cintura abdominal ou pela relação entre este e o perímetro medido a nível das ancas.

Para melhor compreensão desta diferença, o primeiro tipo de distribuição (gordura central) tem sido comparado a uma forma de macã e é mais frequente nos homens, enquanto o segundo tipo (gordura periférica) tem sido comparado a uma pêra e é mais frequente nas mulheres.

Tradicionalmente, tem sido entendido que o tipo de distribuição central de gordura apresenta maior risco de conduzir ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, do que o tipo periférico de distribuição de gordura.

Para esclarecer esta questão, foi realizado um trabalho colaborativo envolvendo 58 estudos e mais de 220.000 pessoas cuja saúde foi seguida ao longo de vários anos. Durante o período de seguimento foram analisados os casos de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral. Verificou-se que a pressão arterial, o colesterol, a diabetes e o tabagismo, foram factores que agravaram a probabilidade de surgimento daquelas doenças. No entanto, o tipo de distribuição de gordura, depois de descontados os outros factores, não influenciou de uma forma independente aquele risco.

Segundo o Dr. Emanuele Di Angelantonio da Universidade de Cambridge, e membro do  Emerging Risk Factors Collaboration que organizou este estudo, "a forma corporal de cada um não é importante".

Afirmou ainda que "ser obeso ou ter excesso de peso é um dos principais factores de risco para doença cardiovascular que podemos modificar, e é um dos primeiros sinais de problemas futuros." "Qualquer que seja a forma de obesidade, em termos de risco cardiovascular, o efeito é o mesmo."

Pode ler este estudo, que foi apoiado pela British Heart Fundation e que foi publicado online em 11 de Março de 2011, na revista Lancet.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A cirurgia aumenta a sobrevida e melhora as doenças associadas, nos doentes obesos graves

A obesidade é uma causa importante de mortalidade e de morbilidade.

Um dos estudos científicos fundamentais para compreender o efeito da cirurgia no tratamento da obesidade grave, foi conduzido por Nicolas Christou e publicado na prestigiada revista americana "Annals of Surgery", em Setembro de 2004.

Neste estudo comparou-se um grupo de 1035 doentes obesos, operados no McGill University Health Centre, com um grupo de 5746 doentes obesos que não foram operados. Este estudo é especialmente importante, porque nenhum dos doentes incluídos tinha patologias médicas relevantes no momento do início do estudo. Os doentes com diabetes, patologia cardíaca ou outras doenças relevantes foram excluídos da análise. Ou seja, quer os doentes operados quer os doentes não operados, não tinham doenças relevantes além da obesidade.

Todos estes doentes foram seguidos por um período de tempo com um máximo de 5 anos de duração.

Ao fim do tempo de seguimento, verificou-se que os doentes operados perderam dois terços do peso em excesso (67%). Além disso tiveram uma redução do risco de desenvolver outras doenças (cardiovasculares, cancro, endócrinas, infecciosas, psiquiátricas) quando comparados com os doentes não operados.

O efeito mais significativo foi na mortalidade. A mortalidade dos doentes não operados foi de 6.17%, enquanto a mortalidade dos doentes operados foi de apenas 0.68%. Esta redução equivale a dizer que a cirurgia diminuiu o risco de morte em 89%  em relação ao risco que os doentes teriam se não fossem operados.

Como conclusão, os autores defendem que estes dados mostram que a cirurgia diminui a mortalidade bem como o desenvolvimento de doenças associadas.

Estudo original : Surgery Decreases Long-term Mortality, Morbidity, and Health Care Use in Morbidly Obese Patients

terça-feira, 15 de março de 2011

O excesso de peso causa mais de 100.000 casos de cancro nos EUA

Segundo um documento publicado nos EUA pelo American Institute for Cancer Research (Instituto Americano para a Investigação sobre Cancro), aproximadamente 100.500 casos de cancro podem ser atribuídos ao excesso de depósitos de gordura corporal. Este cálculo sublinha o papel central que o excesso de peso e a obesidade têm, de acordo com os conhecimentos mais actuais, no desenvolvimento do cancro.

Esta estimativa foi calculada combinando a incidência de novos casos de cancro com estimativas de percentagens dos vários tipos de cancro que são atribuíveis ao excesso de peso como factor de risco.

Segundo esta entidade, o número de casos de cancro que são atribuíveis ao excesso de peso depende do tipo de cancro, e inclui:

49% do cancro do endométrio    = 20,700 casos/ano
35% do cancro do esófagos       = 5,800 casos/ano
28% do cancro do pâncreas       = 11,900 casos/ano
24% do cancro do rim                 = 13, 900 casos/ano
21% do cancro da vesícula        = 2,000 casos/ano
17 % do cancro da mama           = 33,000 casos/ano
9% do cancro colorectal             = 13,200 casos/ano
___________________________________________
TOTAL: 100,500 casos/ano

FatManTrunks.jpgSegundo Laurence Kolonel, membro do painel de peritos do AICR, "sabemos hoje que o excesso de gordura corporal desempenha um papel importante no aparecimento da maior parte dos tumores malignos. É agora claro que o impacto da obesidade tem um efeito prejudicial no aparecimento de cancro, nos resultados do tratamento e na sobre-vida."

Ainda segundo este perito "existe evidência significativa de que a gordura aumenta níveis de algumas hormonas que, por sua vez, estão ligadas a maior probabilidade de cancro". Outros dados recentes apontam para a que o excesso de gordura aumenta o stress oxidativo das células e diminui a protecção imunológica, o que pode conduzir a estragos no DNA celular.

Estes dados são especialmente importantes no contexto de um aumento rápido das taxas de obesidade em todo o mundo.

 American Institute for Cancer Research

domingo, 13 de março de 2011

O bypass consegue uma melhor resolução da diabetes do que a gastrectomia linear (sleeve)

As intervenções destinadas a tratar a obesidade também são eficazes a tratar as doenças metabólicas, com especial relevo para a diabetes tipo 2.

Com objectico de comparar a eficácia no controlo da diabetes de duas intervenções distintas - o bypass e a gastrectomia linear (sleeve) - Wei-jei e colaboradores realizaram um estudo que foi recentemente publicado na revista Archives of Surgery.

Neste estudo foram incluídos 60 doentes com excesso de peso ou obesidade ligeira (IMC entre 25 e 35), e diabetes mal controlada após 6 meses de terapêutica convencional. Não foram incluídos doentes diabéticos com obesidade moderada ou grave.


Sleeve
Metade dos doentes realizaram um bypass (30 doentes) e a outra metade uma gastrectomia linear (sleeve). Os resultados foram avaliados ao fim de 12 meses.

Verificou-se resolução da diabetes em  93% dos doentes que realizaram bypass. Também o sleeve foi eficaz, mas em apenas 47% dos doentes.

Não existiram complicações significativas, nem mortalidade.

Além disso, os doentes que realizaram bypass perderam mais peso, atingiram um menor perimetro de cintura abdominal, menores valores de glicémia, gorduras no sangue e de HbA1c.

Os autores concluiram que, em doentes diabéticos sem obesidade grave, o bypass foi mais eficaz que a gastrectomia linear (sleeve) no controlo da diabetes.

Arttigo original : Archives of Surgery

terça-feira, 8 de março de 2011

O excesso de peso e a reduzida actividade física influenciam o risco de desenvolver alguns tipos de cancro da mama

Um estudo recente publicado no número de Março de 2011 da revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, analisou a relação entre o peso corporal e a actividade física, e a probabilidade de uma mulher vir a desenvolver cancro da mama.

Os tipos de cancro da mama estudados foram os cancros da mama com receptores de estrogénios positivos e os triplamente negativos (negativos para receptores de estrogénios, progesterona e expressão de Her2). Este último tipo de tumor está associado a um prognóstico especialmente negativo.

Amanda I. Phipps e os restantes autores estudaram 155.723 mulheres que vieram a desenvolver 2.917 casos destes dois tipos de cancro da mama.

Os resultados mostram que as mulheres com maior peso tiveram uma probabilidade aumentada de desenvolver ambos os tipos de tumor da mama.

Por outro lado, verificaram que as mulheres com maior actividade física tiveram menos casos do que as mulheres que praticavam menos actividade física.

O estudo permitiu concluir que peso mais elevado e menores índices de actividade física estão associados a um aumento destes tipos de cancro da mama.

Artigo original: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention

domingo, 6 de março de 2011

O peso influencia a esperança de vida na população asiática

A OMS estima que actualmente mais de mil milhões de adultos em todo o mundo têm excesso de peso, e mais de 300 milhões sofrem de obesidade.

O tecido adiposo (a gordura corporal) é actualmente reconhecido como um orgão endócrino que produz várias substâncias biologicamente activas que podem contribuir para as doenças relacionadas com a obesidade, tais como a diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a doença cardíaca, o acidente vascular cerebral e várias formas de cancro.

A maior parte dos estudos que relaciona o excesso de peso com o risco de morte foram realizados em populações de descendência europeia. A validade dessas conclusões para as populações asiáticas ainda não era bem conhecida.

Agora, um estudo  realizado com mais de 1 milhão de asiáticos, veio mostrar que um peso abaixo do normal ou excessivo, nessa população, também aumenta o risco de morte.

Segundo Potter, um dos autores do estudo, estes dados confirmam que a maior parte das pessoas obesas têm uma vida mais curta. Isto é uma mensagem clara para a necessidade de evitar ganhos de peso.

Este estudo envolveu mais de 50 investigadores em sete países e foi publicado no New England Journal of Medicine.

Artigo original: New England Journal of Medicine

sexta-feira, 4 de março de 2011

A obesidade é uma causa do aumento da taxa de cesarianas no País de Gales

O País de Gales tem a taxa mais elevada de mulheres grávidas obesas no Reino Unido, segundo os números publicados pelo governo.

Um estudo do Centre of Maternal and Child Enquiries divulgado em Dezembro 2010 mostrou que 37% dos partos de mulheres obesas no Reino Unido foram por cesariana.

No País de Gales, a taxa de cesarianas aumentou em 3% de 2000-01 para 2009-10.

Segundo Alex Rees, porta-voz do  Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, estes numeros não são surpreendentes, uma vez que se assiste a um aumento da taxa de cesarianas em todo o Reino Unido e a obesidade é uma das causas.

O aumento de IMC da mulher grávida traz ainda outros problemas de saúde como recém-nascidos com peso elevado, diabetes gestacional e pre-eclampsia (hipertensão).

quarta-feira, 2 de março de 2011

A esteatose hepática anuncia o aparecimento de diabetes tipo 2

A esteatose hepática (fígado gordo) é uma das doenças associadas à obesidade. A sua gravidade não é ainda inteiramente clara, bem como a sua relação com a diabetes.

Um trabalho publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em Janeiro 2011, vem mostrar que os indivíduos com esteatose hepática (fígado gordo) têm uma probabilidade 5x maior de vir a desenvolver diabetes tipo 2.

Muitos doentes e médicos vêm a presença de gordura no fígado apenas como "gordura no fígado". Mas, segundo o Dr. Sun Kim da universidade de Stanford na Califórnia, o presente estudo de que é autor revela que a presença de gordura no fígado, avaliada por ecografia, prevê o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Neste estudo foram estudados 11.091 pessoas saudáveis através de várias análises e da realização de uma ecografia hepática. Cinco anos depois as mesmas pessoas foram avaliadasem relação à presença de várias doenças.

Verificou-se que os indivíduos que tinham fígado gordo no início do estudo, passados cinco anos tinham maior taxa de glicémia e de triglicéridos, bem como 5 vezes mais diabetes tipo 2 do que as pessoas que não tinham fígado gordo.

Artigo original: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism