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quinta-feira, 21 de março de 2013

Recomendações da AACE, TOS, e ASMBS

Foram publicadas online as mais recentes Recomendações sobre Cirurgia de Obesidade e Metabólica. Estas Recomendações são patrocinadas pelas organizações sobre Obesidade mais relevantes em todo o Mundo, nomeadamente a American Association of Clinical Endocrinonogists, a The Obesity Society e a American Society for Metabolic and Bariatric Surgery.





Estas Recomendações tentam responder a 7 Perguntas fundamentais sobre esta área médica:

1. Quais os doentes a quem deve ser proposta Cirurgia Bariátrica?
2. Qual o tipo de cirurgia que deve ser proposto a cada doente?
3. Como deve ser realizada a preparação preoperatória dos doentes candidatos a cirurgia bariátrica?
4. Quais os elementos clínicos cuja confirmação é necessária antes da aprovação para cirurgia ?
5. Como deve ser optimizado o tratamento postoperatório precoce?
6. Como deve ser realizado o acompanhamento postoperatório?
7. Quais são os critérios para readmissão hospitalar após a cirurgia?

Nos próximos dias apresentarei aqui as principais recomendações deste documento.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Bypass reduz o risco cardio-vascular

A obesidade é uma doença complexa que tem muitas implicações no desenvolvimento de outras doenças. Tudo junto, conduz a um aumento da mortalidade e perda de qualidade de vida como poucas outras doenças conseguem.
 
As técnicas cirúrgicas para tratar a obesidade são muito eficazes a obter redução de peso mas, além disso, cada vez é mais evidente que também influenciam positivamente as doenças associadas, como a diabetes, a dislipidemia e as doenças cardio-vasculares.
 
No sentido de objetivar este efeito benéfico, um grupo de investigadores brasileiros estudou o efeito da cirurgia da obesidade no risco cardio-vascular aos 10 anos, medido pelo score de Framingham. Este score permite estabelecer o risco de morte de um doente, baseado na idade, sexo, peso, IMC, pressão arterial diastólica, perfil lipídico, glicémia e história anterior de doença cardio-vascular. Este score está validado de uma forma muito sólida e é muito utilizado em diversos estudos.
 
Neste estudo, o Score de Framingham foi avaliado para um conjunto de 42 doentes antes e depois de realizarem um bypass gástrico.
 
A redução do risco cardiovascular aos 10 anos foi muito evidente nos doentes operados, sobretudo através da redução do peso e da resolução de co-morbilidades. Esta redução de risco foi especialmente acentuada nos doentes que apresentavam, à partida, co-morbilidades.
 
Os autores concluem que o bypass provoca uma perda de peso acentuada, sustentável, e com melhoria significativa das co-morbilidades.
 
O estudo foi publicado na Obesity Surgery.


sábado, 19 de março de 2011

O alcool provoca maior efeito após cirurgia de bypass gástrico

O bypass é uma das cirurgias mais frequentemente realizadas para tratar a obesidade e doenças relacionadas. Ao contrário das simples tentativas de alteração de estilo de vida (actividade física, dieta restritiva) que conduzem, na sua maioria, a resultados a longo prazo não satisfatórios, esta intervenção cirúrgica é eficaz.

Drinking Alcohol After Gastric Bypass Surgery
No entanto, após o bypass, as alterações introduzidas no aparelho digestivo implicam alterações no seu funcionamento. O doente é aconselhado a cumprir um conjunto de cuidados com a alimentação de forma a maximizar o resultado da cirurgia e a evitar problemas.

Um desses cuidados é a redução da ingestão de bebidas alcoólicas.

Um estudo recente realizado na Universidade de Stanford vem reforçar a necessidade de cumprimento desta recomendação.

Neste trabalho, um grupo de doentes obesos foram estudados antes da cirurgia e aos 3 meses e 6 meses após o bypass. O estudo consistiu em ingerir uma quantidade standard de vinho e medir a taxa de alcoolémia resultante através do teor de alcool expirado.

Ao fim de 3 ou 6 meses após a cirurgia, os resultados mostraram que os doentes operados tiveram uma maior e mais rapida subida do teor de alcool no sangue, do que eles próprios tinham antes de ser operados com a ingestão da mesma quantidade de alcool.

O tempo necessário para atingir a sobriedade também foi maior após a cirurgia do que era antes do bypass.

Verificou-se também que a intoxicação pelo alcool, após a cirurgia, causava menos diaforese (sudação)  e hiperactividade, e causava mais tonturas, calor e visão dupla.

Este estudo realça a necessidade de compreensão de que o bypass altera várias funções do organismo. Esta alteração tem vantagens na perda de peso e no controlo de outras doenças, mas também tem desvantagens que é necessário conhecer. Uma delas é a diminuição da tolerância ao alcool, pelo que se aconselha os doentes operados a ingerir menores quantidades de alcool.

O cumprimento das recomendações é fundamental para proteger os benefícios conseguidos com a cirurgia bariátrica.

Este trabalho foi publicado no Journal of the American College of Surgeons

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O bypass consegue melhor perda de peso, melhor resolução da diabetes e melhor qualidade de vida do que a banda gástrica

A obesidade e a diabetes tipo 2 são duas das doenças crónicas mais frequentes e prejudiciais para a saúde. O tratamento cirúrgico mais utilizado nos EUA tem sido o bypass gástrico, mas nos últimos anos a banda gástrica foi introduzida como uma alternativa menos invasiva.


Banda Gástrica

Um estudo publicado em Fevereiro de 2011 no Archives of Surgery por Guilherme M. Campos, comparou os resultados de duas intervenções cirúrgicas para a obesidade: o bypass gástrico e a banda gástrica. Os dois grupos de doentes operados tinham características semelhantes em termos de idade, sexo, IMC e presença de diabetes. Todos tinham IMC superior a 40.

A média de perda do peso em excesso foi de 64% para o bypass e de 36% para a banda gástrica.

Bypass Gástrico
No caso dos doentes com diabetes, o bypass permitiu resolver esta doença em 76% dos doentes enquanto a banda gástrica apenas o conseguiu em 50%.

As complicações foram semelhantes nos dois grupos (12% na banda e 14% no bypass). Não houve mortalidade com nenhuma das técnicas.

A qualidade de vida foi igualmente superior no bypass gástrico do que na banda gástrica.

Os autores concluem que, neste estudo, o bypass e a banda gástrica tiveram complicações semelhantes. No entanto, uma vez que os resultados em termos de perda de peso, de resolução da diabetes e de qualidade de vida são melhores no bypass, no contexto deste estudo o bypass obteve um melhor perfil de risco/benefício do que a banda gástrica.

Artigo original: Archives of Surgery

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Obesity Surgery Mortality Risk Score (OS-MRS)

Saber prever o risco de mortalidade em cirurgia de obesidade é essencial para poder identificar os doentes com necessidade de mais apoio e vigilância no peri-operatório. Além disso, também é fundamental para poder discutir abertamente com o doente as vantagens, benefícios, desvantagens e riscos da opção cirúrgica em cada caso.

O Obesity Surgery Mortality Risk Score pretende isso mesmo. Este score, proposto originalmente por DeMaria, não é complexo de calcular, utiliza informações geralmente recolhidas em todos os doentes no decurso da entrevista clínica habitual e permite estratificar o risco de forma validada.

Obesity Surgery Mortality Risk Score

Factor de RiscoPontos
Idade > 45 anos
1
Hipertension
1
Sexo masculino
1
Factores de risco para embolismo pulmonar*
1
IMC ≥ 50 kg per m2
1
Total:
–––––––––––
Grupo de Risco (pontuação)Risco de mortalidade postoperatória
Baixo (0 or 1 points)         
          0.2%
Moderado (2 or 3 points)                 
          1.2%
Alto (4 or 5 points)
          2.4%

* Tromboembolismo venoso prévio, hipertensão pulmonar, filtro de veia cava preoperatório, hipoventilação condicionada pela obesidade
Este score - OS-MRS - foi validado num estudo envolvendo 4 centros e  4431 patients. Esta pontuação é a primeira a ser validada para estratificar risco em cirurgia de obesidade e pode auxiliar na obtenção de consentimento informado, ajudar na tomada de decisão cirúrgica e permitir a standardização de comparações entre diferentes centros de tratamento.

Artigo original: