terça-feira, 15 de março de 2011

O excesso de peso causa mais de 100.000 casos de cancro nos EUA

Segundo um documento publicado nos EUA pelo American Institute for Cancer Research (Instituto Americano para a Investigação sobre Cancro), aproximadamente 100.500 casos de cancro podem ser atribuídos ao excesso de depósitos de gordura corporal. Este cálculo sublinha o papel central que o excesso de peso e a obesidade têm, de acordo com os conhecimentos mais actuais, no desenvolvimento do cancro.

Esta estimativa foi calculada combinando a incidência de novos casos de cancro com estimativas de percentagens dos vários tipos de cancro que são atribuíveis ao excesso de peso como factor de risco.

Segundo esta entidade, o número de casos de cancro que são atribuíveis ao excesso de peso depende do tipo de cancro, e inclui:

49% do cancro do endométrio    = 20,700 casos/ano
35% do cancro do esófagos       = 5,800 casos/ano
28% do cancro do pâncreas       = 11,900 casos/ano
24% do cancro do rim                 = 13, 900 casos/ano
21% do cancro da vesícula        = 2,000 casos/ano
17 % do cancro da mama           = 33,000 casos/ano
9% do cancro colorectal             = 13,200 casos/ano
___________________________________________
TOTAL: 100,500 casos/ano

FatManTrunks.jpgSegundo Laurence Kolonel, membro do painel de peritos do AICR, "sabemos hoje que o excesso de gordura corporal desempenha um papel importante no aparecimento da maior parte dos tumores malignos. É agora claro que o impacto da obesidade tem um efeito prejudicial no aparecimento de cancro, nos resultados do tratamento e na sobre-vida."

Ainda segundo este perito "existe evidência significativa de que a gordura aumenta níveis de algumas hormonas que, por sua vez, estão ligadas a maior probabilidade de cancro". Outros dados recentes apontam para a que o excesso de gordura aumenta o stress oxidativo das células e diminui a protecção imunológica, o que pode conduzir a estragos no DNA celular.

Estes dados são especialmente importantes no contexto de um aumento rápido das taxas de obesidade em todo o mundo.

 American Institute for Cancer Research

segunda-feira, 14 de março de 2011

Uma em cada cinco crianças suecas tem excesso de peso

Investigadores da "Sahlgrenska Academy University of Gothenburg", na Suécia, conduziram o primeiro estudo nacional sobre a prevalência de excesso de peso e de obesidade em crianças em idade escolar.

Este estudo mostrou que uma em cada cinco crianças na Suécia tem excesso de peso. Existe também uma relação  entre nivel de educação e excesso de peso, estando o baixo nível socio-económico associado a maiores taxas de excesso de peso.

Este estudo foi publicado na revista Obesity Reviews e faz parte de um projecto europeu o  "WHO European Childhood Obesity Surveillance Initiative", que envolve 14 países europeus, entre eles Portugal.

O trabalho desenvolvido englobou 94 escolas escolhidas aleatoriamente em todo o território da Suécia e incluiu 4.600 crianças com idades entre os 7 e os 9 anos. Permitiu calcular, nesta faixa etária, a taxa de excesso de peso em 17% com 3% de obesidade infantil.

As áreas rurais tiveram uma taxa de excesso peso mais acentuada que as áreas urbanas, o que comprova o efeito do nivel educacional e socio-económico na problemática do excesso de peso.

Segundo Sjöberg, um dos autores, "o excesso de peso e a obesidade nestas idades geralmente conduzem a um problema semelhante na idade adulta, pelo que é importante identificar os grupos de risco onde devem incidir campanhas de prevenção".

Estudo na versão online do Obesity Reviews, jornal oficial da International Association for the Study of Obesity.

domingo, 13 de março de 2011

O bypass consegue uma melhor resolução da diabetes do que a gastrectomia linear (sleeve)

As intervenções destinadas a tratar a obesidade também são eficazes a tratar as doenças metabólicas, com especial relevo para a diabetes tipo 2.

Com objectico de comparar a eficácia no controlo da diabetes de duas intervenções distintas - o bypass e a gastrectomia linear (sleeve) - Wei-jei e colaboradores realizaram um estudo que foi recentemente publicado na revista Archives of Surgery.

Neste estudo foram incluídos 60 doentes com excesso de peso ou obesidade ligeira (IMC entre 25 e 35), e diabetes mal controlada após 6 meses de terapêutica convencional. Não foram incluídos doentes diabéticos com obesidade moderada ou grave.


Sleeve
Metade dos doentes realizaram um bypass (30 doentes) e a outra metade uma gastrectomia linear (sleeve). Os resultados foram avaliados ao fim de 12 meses.

Verificou-se resolução da diabetes em  93% dos doentes que realizaram bypass. Também o sleeve foi eficaz, mas em apenas 47% dos doentes.

Não existiram complicações significativas, nem mortalidade.

Além disso, os doentes que realizaram bypass perderam mais peso, atingiram um menor perimetro de cintura abdominal, menores valores de glicémia, gorduras no sangue e de HbA1c.

Os autores concluiram que, em doentes diabéticos sem obesidade grave, o bypass foi mais eficaz que a gastrectomia linear (sleeve) no controlo da diabetes.

Arttigo original : Archives of Surgery

sábado, 12 de março de 2011

A Cirurgia Previne a Mortalidade Causada pela Obesidade

A obesidade é uma doença que traz consigo um aumento da probabilidade de ocorrência de várias outras doenças, contribuindo para uma morte prematura. Os obesos, em média, vivem menos anos do que as pessoas com peso normal.

Ao tratar a obesidade, as operações de cirurgia bariátrica podem conduzir a uma redução destas doenças e aumentar os anos de vida.

Para avaliar a eficácia da cirurgia em aumentar a esperança de vida, dois investigadores italianos,  Antonio Pontiroli e Alberto Morabito, compararam a sobrevivência de doentes obesos operados com a sobrevivência de doentes obesos não operados.


Analisaram globalmente oito trabalhos publicados em todo o mundo, que incluiram 44.052 doentes, sendo 14.052 operados (banda gástrica ou bypass) comparados com 29.970 doentes não operados. Estes trabalhos avaliaram a sobre-vida destes doentes ao longo de um período médio de 7.5 anos.

Os resultados mostraram que no período de seguimento, vieram a falecer 2917 doentes não operados, enquanto que no grupo dos doentes operados apenas faleceram 400. A percentagem de morte nos 7.5 anos de seguimento foi de 2.8% nos doentes operados o que compara muito favoravelmente com os 9.7% nos doentes não operados.

Este efeito que a cirurgia atinge, de redução da mortalidade associada à obesidade, parece ser semelhante para a banda gástrica e para o bypass, de uma forma geral. No entanto, a mortalidade por doença cardio-vascular diminuiu ainda mais nos doentes que realizaram bypass do que nos que colocaram banda gástrica.

Além disso, o efeito protector obtido pela cirurgia parece ter sido maior nos doentes que tinham maior IMC à partida.

Os autores concluem que  cirurgia aumenta a sobre-vida dos doentes com obesidade.

Este estudo foi publicado no número de Março de 2011 do "Annals of Surgery"

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eficácia da Cirurgia de Obesidade em Idade Pediátrica

Segundo um artigo científico publicado na revista médica "Clinical Obesity" em Março de 2011, "actualmente ainda não existe evidência científica sólida favorável a nenhum tipo de estratégia não cirúrgica para conseguir tratar a obesidade em crianças e adolescentes. Por esta razão, os médicos escolhem cada vez mais opções cirúrgicas para tratar doentes destas faixas etárias".

Neste estudo, os autores realizaram uma revisão sistemática de todos os artigos científicos onde se analisou a eficácia da cirurgia em tratar obesidade em doentes com menos de 19 anos. Foram encontrados 37 artigos científicos sobre este tema ao longo dos ultimos 36 anos, correspondendo aos critérios de qualidade definidos.

Todas as técnicas se mostraram eficazes. Os estudos que analisaram os resultados da colocação de banda gástrica, mostraram uma perda de peso correspondendo a uma perda de IMC entre 8.5 e 43. Os resultados do bypass conduziram a uma perda de peso de 9 a 25 de IMC. Os estudos sobre outras técnicas cirúrgicas (sleeve, gastroplastia vertical,derivação bilio-pancreática) tiveram uma perda de peso entre 9 e 24 de IMC.

Existiram algumas complicações e a mortalidade global foi de 0.3%.

No entanto, além da eficácia em tratar a obesidade, a maioria dos estudos mostraram que a cirurgia permitiu melhorar, ou mesmo resolver completamente, as doenças associadas à obesidade.

Os autores concluem que "a evidência científica existente, apesar de ainda se basear em estudos pequenos, sugere que a cirurgia bariátrica em doentes abaixo de 19 anos conduz a uma redução de peso significativa e à redução das doenças associadas bem como à melhoria da qualidade de vida. No entanto, como podem existir complicações e como os resultados a longo prazo ainda são na maioria dos casos desconhecidos, esta opção de tratamento deve ser colocada com prudência e é aconselhável escolher técnicas reversíveis em vez de técnicas permanentes".

Ainda segundo os autores, "a epidemia de obesidade afecta actualmente adultos, adolescentes e crianças, estando os custos desta doença e das suas doenças associadas a subir constantemente. Definir métodos eficazes para tratamento da obesidade grave vai permitir não só diminuir as taxas de obesidade infantil, como diminuir a progressão desta doença para a idade adulta, passo essencial no combate a esta epidemia".

Artigo original: Clinical Obesity
Esta revista é o orgão oficial da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade, que reune mais de 50 organizações nacionais e regionais.

terça-feira, 8 de março de 2011

O excesso de peso e a reduzida actividade física influenciam o risco de desenvolver alguns tipos de cancro da mama

Um estudo recente publicado no número de Março de 2011 da revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, analisou a relação entre o peso corporal e a actividade física, e a probabilidade de uma mulher vir a desenvolver cancro da mama.

Os tipos de cancro da mama estudados foram os cancros da mama com receptores de estrogénios positivos e os triplamente negativos (negativos para receptores de estrogénios, progesterona e expressão de Her2). Este último tipo de tumor está associado a um prognóstico especialmente negativo.

Amanda I. Phipps e os restantes autores estudaram 155.723 mulheres que vieram a desenvolver 2.917 casos destes dois tipos de cancro da mama.

Os resultados mostram que as mulheres com maior peso tiveram uma probabilidade aumentada de desenvolver ambos os tipos de tumor da mama.

Por outro lado, verificaram que as mulheres com maior actividade física tiveram menos casos do que as mulheres que praticavam menos actividade física.

O estudo permitiu concluir que peso mais elevado e menores índices de actividade física estão associados a um aumento destes tipos de cancro da mama.

Artigo original: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention

domingo, 6 de março de 2011

O peso influencia a esperança de vida na população asiática

A OMS estima que actualmente mais de mil milhões de adultos em todo o mundo têm excesso de peso, e mais de 300 milhões sofrem de obesidade.

O tecido adiposo (a gordura corporal) é actualmente reconhecido como um orgão endócrino que produz várias substâncias biologicamente activas que podem contribuir para as doenças relacionadas com a obesidade, tais como a diabetes tipo 2, a hipertensão arterial, a doença cardíaca, o acidente vascular cerebral e várias formas de cancro.

A maior parte dos estudos que relaciona o excesso de peso com o risco de morte foram realizados em populações de descendência europeia. A validade dessas conclusões para as populações asiáticas ainda não era bem conhecida.

Agora, um estudo  realizado com mais de 1 milhão de asiáticos, veio mostrar que um peso abaixo do normal ou excessivo, nessa população, também aumenta o risco de morte.

Segundo Potter, um dos autores do estudo, estes dados confirmam que a maior parte das pessoas obesas têm uma vida mais curta. Isto é uma mensagem clara para a necessidade de evitar ganhos de peso.

Este estudo envolveu mais de 50 investigadores em sete países e foi publicado no New England Journal of Medicine.

Artigo original: New England Journal of Medicine

sexta-feira, 4 de março de 2011

A obesidade é uma causa do aumento da taxa de cesarianas no País de Gales

O País de Gales tem a taxa mais elevada de mulheres grávidas obesas no Reino Unido, segundo os números publicados pelo governo.

Um estudo do Centre of Maternal and Child Enquiries divulgado em Dezembro 2010 mostrou que 37% dos partos de mulheres obesas no Reino Unido foram por cesariana.

No País de Gales, a taxa de cesarianas aumentou em 3% de 2000-01 para 2009-10.

Segundo Alex Rees, porta-voz do  Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, estes numeros não são surpreendentes, uma vez que se assiste a um aumento da taxa de cesarianas em todo o Reino Unido e a obesidade é uma das causas.

O aumento de IMC da mulher grávida traz ainda outros problemas de saúde como recém-nascidos com peso elevado, diabetes gestacional e pre-eclampsia (hipertensão).

quarta-feira, 2 de março de 2011

A esteatose hepática anuncia o aparecimento de diabetes tipo 2

A esteatose hepática (fígado gordo) é uma das doenças associadas à obesidade. A sua gravidade não é ainda inteiramente clara, bem como a sua relação com a diabetes.

Um trabalho publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em Janeiro 2011, vem mostrar que os indivíduos com esteatose hepática (fígado gordo) têm uma probabilidade 5x maior de vir a desenvolver diabetes tipo 2.

Muitos doentes e médicos vêm a presença de gordura no fígado apenas como "gordura no fígado". Mas, segundo o Dr. Sun Kim da universidade de Stanford na Califórnia, o presente estudo de que é autor revela que a presença de gordura no fígado, avaliada por ecografia, prevê o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Neste estudo foram estudados 11.091 pessoas saudáveis através de várias análises e da realização de uma ecografia hepática. Cinco anos depois as mesmas pessoas foram avaliadasem relação à presença de várias doenças.

Verificou-se que os indivíduos que tinham fígado gordo no início do estudo, passados cinco anos tinham maior taxa de glicémia e de triglicéridos, bem como 5 vezes mais diabetes tipo 2 do que as pessoas que não tinham fígado gordo.

Artigo original: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Como perder 20Kg em 4 semanas!!!!!!!!!

Segundo Yoni Freedhoff  (director da investigação em obesidade da Universidade de Alberta, Canada ) afirma no Canadian Medical Association Journal, "a indústria de perda-de-peso engloba um conjunto enorme de produtos e programas que prometem resultados fáceis, rápidos e duradouros".

"Considerando a existência de todos estes meios mágicos de obter perda de peso, é difícil de compreender porque será a obesidade ainda um problema de saúde. Talvez seja porque esta magia existe apenas nos sonhos e esperanças das pessoas. Esperanças e sonhos que os vendedores destes programas e produtos exploram facilmente.

Apesar dos peritos afirmarem que o tratamento da obesidade exige uma intervenção médica, cirúrgica ou comportamental de longo prazo, a maioria dos vendedores dos produtos comerciais manipulam os doentes impunemente, cultivando expectativas irreais e ideias falsas. Com efeito, é possivel ver, com frequência, afirmações absurdas tais como dizer que injecções de vit B ajudam a acelerar a lipólise ou que existem suplementos vegetais que diminuem o apetite e aceleram o metabolismo."

De acordo com  Yoni Freedhoff,"O reconhecimento da enorme morbilidade e mortalidade associadas à obesidade tem levado os médicos e as campanhas de saúde pública a aumentar o desejo dos doentes em perder peso, na medida em que se promove a consciência dos riscos da obesidade.

Infelizmente, estas mensagens de alarme não são acompanhadas de informação sobre os tratamentos que são realmente eficazes. Apesar de bem intencionadas, acabam por conduzir os doentes a um emaranhado selvagem de propostas sem nenhum tipo de garantia de eficácia e que, por vezes, até podem ser fatais.

Não apenas os doentes estão a ser repetidamente vigarizados, como os múltiplos fiascos das opções fraudulentas acabam por fazer perder a confiança nas abordagens realmente eficazes.

Uma vez que as abordagens realmente eficazes estão bem estabelecidas, os governos, os médicos e os serviços de saúde, todos partilham uma obrigação médica e moral de proteger as pessoas destas práticas ineficazes de tentativa de perda de peso.

Para que possamos realmente enfrentar esta epidemia de obesidade, primeiro temos de suster a prática centenária de venda de banha da cobra. É necessário que os governos requeiram certificação da eficácia dos produtos e dos programas de perda de peso, certificação essa baseada na evidência, para assegurar a qualidade e proteger as pessoas."

E o autor conclui:
"Nem os serviços públicos de saúde nem a comunidade médica estão a fazer o suficiente para resolver o problema da obesidade. Os doentes encontram-se muitas vezes desesperados por encontrar soluções e, como tal, estão especialemente vulneráveis a serem explorados. É tempo de acabar com este absurdo."

O texto original pode ser encontrado em Canadian Medical Association Journal